Depoimento 03:

Daniela H. J. R. 19 anos, (São Paulo, SP): Eu estou no segundo semestre de faculdade, e descobri que estava grávida. Foi uma surpresa, pois usávamos camisinha, contudo, eu não fazia o uso de anticoncepcionais por conta de disfunções hormonais, e ainda não havia encontrado um contraceptivo que se adequasse ao meu metabolismo. Eu tenho um relacionamento estável, entretanto, eu e meu companheiro não temos ainda condições econômicas, tampouco maturidade, para seguir com a gestação. Assim, não havia possibilidades de proporcionar condições básicas para uma vida digna nem para mim, nem para o meu companheiro, muito menos para um filho. No primeiro momento, fiquei em choque com a possibilidade de ter de interromper os tão sonhados estudos. Para complicar um pouco mais, os meus pais são separados e eu estou me adaptando a morar com a família paterna, na qual temos laços afetivos frágeis: uma família burguesa, autoritária, conservadora, moralista, cristã e machista. Nesse contexto hostil, era inviável gerar um indivíduo.

Nesse momento, me dei conta das debilidades das instituições, dentre elas, saliento três. A Escola, que nunca proporciona educação sexual, exceto a explanação de doenças sexualmente transmissíveis. Era a “educação” do medo e do terror. O SUS, que não faz políticas preventivas efetivas para a saúde das mulheres, trata as mulheres de forma sexista, sem orientação sexual. Nunca vi distribuição de camisinha feminina, isso tira a autonomia da mulher na prevenção, reforça a cultura do machismo e ignora que mulher transa! E, por fim, a família, em sua grande maioria opressora, que não respeita a individualidade religiosa e política, e que coage as mulheres a ter uma vida de servidão nos espaços privados.

Romper com as amarras não é fácil, principalmente quando temos uma legislação que valida a violência e criminaliza o aborto, e um Estado hipócrita que se diz laico e é apadrinhado pela bancada evangélica. Entretanto, temos o direito e o dever de desobedecer diante de leis injustas e de condições sociais precárias. E, nesse surto de lucidez, procurei por alguma solução na internet e fiquei sabendo do Cytotec, achei o Aborto Já e comprei com muita tranquilidade… As pílulas são as verdadeiras, e deu certo, eu tive sorte pois estava com apenas 3 semanas. Até sobrou, das 6 que comprei restaram 2 e vou guardar para doar a alguma amiga que precisar. Eu me apoderando do que me foi negado, de ser uma mulher livre, autônoma, dona do meu próprio corpo! Conseguirei dar continuidade aos meus estudos, projetos e amores sem temor agora. Fiz um aborto e farei quantos forem necessários! Serei mãe quando eu quiser, e se eu quiser! Porque meu corpo é muito mais que uma incubadora! O Meu destino me pertence, e meu caminho, eu que escolho! A vida é minha e eu escolho como vive-la, e não vai ser uma gravidez indesejada, um filho inconveniente, que vai interferir no que planejei para a minha existência.

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